Transformando as compras em causas sociais – Rio Criativo

Transformando as compras em causas sociais

 *Este artigo foi publicado no Projeto Draft

Criada há dois anos, em Belo Horizonte, a Risü (que em latim significa “sorriso”) se propõe a ser um “shopping do bem”, uma plataforma na qual o consumidor pode transformar suas compras em doações para ONGs. O projeto é dos mineiros Lucas Borges, Rodrigo Franzot e Francis Andrade, todos de 30 anos, e Matheus Godinho, 19, que pesquisaram players internacionais da Europa e dos Estados Unidos para lançar a sua versão do negócio. Depois de um investimento próprio de 4,5 mil reais, dois programas de aceleração e alguns ajustes no percurso, hoje eles estão focados no crescimento da empresa e há uma fila de espera para ONGs participarem do sistema.

Cada transação na Risü acontece no sistema cashforward (dinheiro passado adiante). Isso significa que parte da comissão que as lojas parceiras pagam à empresa é repassada para instituições. Para os sócios, a vantagem do modelo é a experiência de solidariedade proporcionada ao consumidor no ato da compra de um produto ou serviço. Matheus conta desconhecia outras empresas com o mesmo modelo no Brasil, no entanto o Polen tinha uma proposta semelhante, só que funcionava em formato de plugin para o usuário instalar no navegador antes de fazer compras online.

O valor da comissão de vendas repassado pelos e-commerces para a Risü pode variar de 1% a 7,5%. Desse total, a startup destina metade para as ONGs. A contribuição pode parecer pouca à primeira vista, mas Matheus diz que cada real faz diferença para a captação das instituições: “Temos ONGs de apoio a animais que alimentam um cachorro com um real por dia, por exemplo”. Nesse caso, toda ajuda é bem-vinda.

Se no início, a ideia era entender o que a empresa poderia fazer por elas, a fórmula parece ter sido descoberta, segundo o sócio:

“Há um ano e meio, estávamos com duas ONGs de Minas Gerais. Agora, há instituições de quase todo o Brasil e uma fila de espera enorme”

Como todo empreendedor, eles tiveram de correr riscos quando decidiram abrir a empresa. Quase todos se conheciam desde a infância e resolveram largar empregos estáveis em busca do sonho do negócio de impacto social. Rodrigo deixou um escritório de advocacia, Lucas o departamento comercial da Qualicorp e Francis a área financeira da ArcelorMittal. Já o último integrante do quarteto, Matheus, formado em Engenharia da Computação, havia acabado de voltar de um período de estudo em Londres quando começou na Risü como estagiário. Mas como em startups o tempo corre acelerado, em menos de seis meses ele foi convidado a se juntar à sociedade.

INVESTIMENTO ENXUTO E ACELERAÇÕES IMPULSIONARAM O NEGÓCIO

Do investimento inicial na plataforma no primeiro ano, o quarteto conseguiu reverter 1,5 mil reais das compras em doações. O esforço para fazer o negócio render garantiu uma vaga no processo de aceleração do StartUp Chile, apenas sete meses depois da empresa abrir as portas. Durante o processo, além de obterem mentoria, os empreendedores captaram 120 mil reais. Esse foi primeiro aporte para a Risü crescer.

Assim que deixaram o programa do governo chileno, em 2016, a empresa engatou outra iniciativa, desta vez com o SEED, do governo mineiro, onde levantou mais 88 mil reais. “Ao longo desses dois programas, nós atingimos nosso ponto de equilíbrio. Agora estamos focados 100% na empresa para atingir escala e outros mercados”, diz Matheus.

Como nem tudo são flores no caminho de quem empreende, Matheus fala de quando a empresa errou, ainda no final de 2015, ao realizar uma campanha de divulgação com influenciadores digitais: “Buscamos cerca de 15 blogueiras para divulgar a nossa marca. Despendemos tempo e dinheiro na ação. Elas realmente tinham uma comunicação muito boa, mas o público não era o nosso. A gente identificou isso muito rápido e a campanha foi interrompida na metade”.