Guarda-roupa compartilhado e consumo consciente – Rio Criativo

Guarda-roupa compartilhado e consumo consciente

*Este artigo foi originalmente publicado na Free The Essence

Repensar o papel do consumismo nas nossas vidas é uma das respostas mais efetivas para a pergunta: como minimizar o nosso impacto no mundo? O consumo consciente não é só mais uma tendência bem-comportada com cara de greenwash populando discursos de marcas que querem parecer legais. Tudo bem, às vezes é, mas existem iniciativas independentes surgindo no Brasil que estão transformando a forma como consumimos moda, como a Roupateca da House of Bubbles. A Roupateca é uma mistura de biblioteca de roupas com Netflix: você escolhe um dos planos oferecidos e compartilha um dos guarda-roupas mais desejados da cidade.

A House of Bubbles é uma das 4 casas colaborativas do empresário Wolfgang Menke, fundador do grupo House of All, uma vila colaborativa de casas vocacionadas baseadas em Sharing Economy (economia compartilhada) no bairro de Pinheiros, São Paulo. A primeira delas foi a House of Work, um co-working tradicional, seguida pela House of Food, uma cozinha industrial compartilhada para chefs independentes, a House of Learning, um espaço para cursos que cobra conforme faturamento e a caçula House of Bubbles. A “Bubbles”, como é carinhosamente apelidada pela vizinhança, tem uma lavanderia estilo self-service no andar de baixo (onde você pode lavar e secar suas roupas como nas launderettes européias e americanas) e a Roupateca no andar de cima.

Assinatura de roupas não é brechó nem aluguel

A Roupateca não é um brechó e não funciona como aluguel de peças pontuais: é um clube de assinatura de roupas com foco em consumo consciente. Por R$100, R$200 ou R$300 por mês você pode levar 1, 3 ou 6 peças para casa por vez, ou seja, se quiser trocar as suas peças todos os dias, você pode. A única condição é devolver as roupas nas condições que você as encontrou e lavadas (não é necessário passar). Ou seja: por R$100, você pode usar 30 peças diferentes por mês. Pelas regras, você pode ficar até 10 dias com elas e em caso de perda ou danos irrecuperáveis paga-se o valor total da peça. Por ora, o foco da curadoría é para mulheres, mas a ideia é que o acervo se torne um dos melhores serviços de assinatura de roupas masculinas também.

Consumo consciente também é usar até acabar

Inaugurado em outubro do ano passado ainda em formato Beta, o projeto quer dar exemplo para outras iniciativas de consumo consciente no país e já está recebendo propostas de abertura de franquias em todo o Brasil. As idealizadoras e sócias, Nathalia Roberto e Daniela Ribeiro, ainda querem esperar antes de replicar o modelo para entender melhor o publico e o potencial do serviço. Mas confessam: “uma das coisas mais lindas da Roupateca é ver a mesma peça sendo usada por pessoas com estilos diferentes, de formas diferentes”, diz Daniela. Consumo consciente não é simplesmente consumir menos, mas também uma forma de entender quanto deve durar uma peça e aproveitar o seu potencial ao máximo.