A Economia Criativa e o Processo Criativo – Rio Criativo

A Economia Criativa e o Processo Criativo

Nessa semana, comemora-se o Dia Mundial da Criatividade e por isso resolvi falar um pouco sobre a relação entre a Economia Criativa e o processo criativo.

O termo “economia criativa” começou a ganhar notoriedade no Reino Unido, a partir de meados dos anos 2000 com o autor John Howkins. E desde então, foi tratado como eixo estratégico de desenvolvimento por diversos países, desde 2008 como política nacional no Reino Unido, passando pelo lançamento do Plano Nacional da Economia Criativa no Brasil em 2010, até o Decreto do Programa Rio Criativo em 2013 no Estado do Rio de Janeiro.

Ao contrário do que se pensava sobre a Economia Criativa, ela não é mais um conceito amplo que abarca toda e qualquer atividade gerada pela criatividade. Trata-se de um ambiente de negócios, dividido em setores criativos, que dão origem a bens, produtos e serviços que possuem alguma inovação no modo em que chegam ao seu público-final, no seu processo de produção ou até mesmo em seu modelo de gestão. Logo, é correto afirmar que para estar alinhado a nova economia, o negócio precisa gerar valor, estar conectado a um propósito e ser sustentável.

Mas quais serão os próximos desafios desse novo setor, frente às constantes instabilidades econômicas que assolam as instituições? Bom, se considerarmos o atual cenário mundial, os desafios são muitos e demandam grande atenção dos profissionais que atuam nesse mercado. Se por um lado a Economia Criativa tem demonstrado grande resultado no PIB nacional e do estado do Rio de Janeiro, é possível observar que o setor cultural e criativo tem sofrido com constantes cortes orçamentários, mas que começam a ser incorporadas como pauta estratégica nas decisões governamentais. Frente a redução orçamentária, o desafio de aquecer e desenvolver esse setor fica ainda mais complexo, porém não impossível. É notório o interesse de grandes empresas dos setores tradicionais no relacionamento com empreendimentos e startups, numa tentativa de aprender com esse ecossistema, absorver soluções para as suas dores e melhorar seus desempenhos diante de unicórnios enxutos e com grande capacidade de crescimento. Prova disso são os números divulgados no Censo 2017 realizado pela plataforma Coworking Brasil que identificou que existiam a época, 810 espaços espalhados pelo país dos quais 78 estão localizados no Rio de Janeiro.

Mas serão os unicórnios e as startups, as únicas soluções possíveis para esses desafios? Estamos de fato incentivando um ecossistema fértil e criativo o suficiente para o surgimento de novas propostas?

Se considerarmos que a criatividade provêm da busca por uma solução, de um processo que identifica um problema e que envolve certa dose de empatia, nesse caso podemos afirmar que as atividades culturais têm a capacidade de liderar transformações nos processos tradicionais. Esse discurso inspirador precisa ser incorporado pelo Governo, pelas lideranças, instituições, escolas e principalmente pela sociedade. Então é aqui que observamos a importância do processo criativo em todo o contexto que envolve esse novo setor.

Já sabemos que o ser humano é o único ser vivo dotado de criatividade, então cabe lançar mão deste ativo e ressaltar a importância do processo criativo na renovação da economia. É necessário estimular as ideias, investir na colaboração e compartilhar o conhecimento, gerando alternativas aos modelos vigentes. Todas as ideias precisam ser compartilhadas para que se realizem, pois a vida em sociedade é feita em e de redes. Acredito que dessa forma, seremos capazes de ampliar o fluxo de inteligência dos negócios, o que nos permite enxergar os problemas com maior clareza e foco.

A ideia de chegar no futuro como um lugar a ser conquistado, desapareceu. Será necessário buscar a criatividade na transição cotidiana do devir, estar e não estar mais. O presente, hoje e sempre, será nossa única alternativa para efetuar qualquer mudança. Sejamos criativos!

Texto de Diogo Oliveira, Diretor do Rio Criativo.